É inevitável que as próximas linhas sejam dedicadas em exclusivo à Taça conquistada no passado dia 26 de maio de 2013 no Estádio do Jamor.
Mais do que uma opinião, a narração que se segue vai ser o retrato de um testemunho inesquecível guardado religiosamente na minha memória.
A chegada ao Jamor aconteceu bem cedo, para uma longa jornada de trabalho, confundida com o prazer de estar presente neste acontecimento único.
A alegria dos adeptos, a boa disposição e o otimismo fizeram-se sentir desde as primeiras horas da madrugada ainda em Guimarães e prolongada até à mata do Jamor.
No contacto direto com os adeptos e amigos em dezenas de testemunhos a opinião era unânime, “hoje levamos o caneco para Guimarães”. Entre entrevistas e duas de treta, sentia-se o cheiro agradável dos mais variados petiscos preparados e pensados cuidadosamente para um dia especial, acompanhados de uma garrafeira variadíssima onde a “mini” foi rainha.
Com o aproximar da hora do jogo, no subconsciente de cada alma pairava um nervoso miudinho, apesar do otimismo.
Momento marcante, ainda longe do apito inicial mas dentro do recinto e já com a maioria dos adeptos vitorianos presentes, aconteceu quando os jogadores apareceram no relvado e deslumbrados por tamanho apoio começaram a fotografar os seus ídolos, os adeptos do Vitória. É isso mesmo, por momentos os papeis inverteram-se e os adeptos passaram a ser o centro das atenções por aqueles jogadores como que agradecendo a sua fidelidade ao emblema vitoriano.
Um gesto digno e nunca antes visto nos relvados portugueses.
Do jogo, vou saltar para o minuto 80, altura do empate e dois minutos depois a cambalhota no marcador, levando à loucura jogadores, dirigentes, adeptos e jornalistas locais. Sim, porque também na bancada de imprensa se viveram momentos completamente alucinantes.
As lágrimas banharam muitos rostos misturadas com vozes roucas e gastas de tanta emoção.
Finalmente o apito final e a explosão generalizada pela conquista de um troféu há muito perseguido . O que se seguiu foram comemorações até de madrugada com inicio no Jamor e durante cerca de 350 quilómetros e muitas horas de viagem, culminadas na cidade de Guimarães onde todos se reuniram para acolher os seus heróis.
Não queria deixar passar em claro a importância da equipa B neste projeto, sacrificada com a descida de divisão.
Para terminar resta-me felicitar todos os vitorianos por uma época fantástica.
Uma última palavra a todos aqueles que comigo trabalharam para que este momento ficasse registado para a eternidade.
Por Ricardo Lopes